Há
um difícil momento na vida de qualquer pessoa. Na verdade, apenas um momento
difícil seria ótimo. Tem horas em que lidamos com a morte. Às vezes com
atrasos, decepções, quebra de compromissos. Do momento que nascemos, até o
último suspiro, lidamos com o pior momento de todos: o momento da vida. Uma
vida feita de opções, algumas claras, outras nem tantos. Opções que também
podem ser falsas, fantasmagóricas.
Vida é
integrar pessoas que você gosta e se desgastar, romper, quebrar com todas elas.
Quebrar e ser quebrado, a via é de mão dupla. Você se transforma numa alegoria
– se tiver sorte – muito engraçada daquilo que já foi um dia. Do contrário,
será apenas mais um velho solitário, enterrando sua cabeça para o que está em volta. E essa dor... Essa
dor é um vício. É o impulso de se contorcer até ouvir o primeiro estalar de
seus ossos quebrando. Então, como um louco em agonia, forçar até que não tenha
mais som. Impassível e sem voz, você se perde. Num labirinto de sim e não. De
tempo gasto, investido, somente para que no final não se tenha mais força.
Somente aí, nesse momento corriqueiro em que nos viramos para jogar a toalha,
uma porta bate com força.
Literalmente, você não sabe mais o que fazer,
pois você não sabe fazer mais nada. Ironia do destino, quanto mais fundo
imergimos, menos há sobre nossas cabeças. Seu fio de esperança não mostra que é
o fim. Temos gana de viver. Ansiamos por chegar a algum lugar e – se chegamos –
um passo à frente se vislumbra. E assim desejamos mais, para também nos
frustrarmos mais. Por outro lado, se a possibilidade de chegar nos é negada, pelo
que lamentamos? Nossa insuficiência? Competência? Capacidade? Pelo tempo que
não voltará? Você duvida de si mesmo. Ou talvez, esteja certo de que não há
espaço nem missão a se cumprir. As escolhas são caminhos que te afastam de
outros caminhos. Até que você perceba que o sol não está mais a sua frente, ele
já passou, faz muito tempo, sob seu ombro.