quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Esportes para a vida
Não é difícil que se veja por aí aqueles tipos de frase super-esperançosas, dignas de quem está, ou pelo menos se sente, perdendo algo. Pergunte-se, leitor, que malditas frases são estas? Eu digo. Aquelas bem do tipo: "o mundo dá voltas", "ganhar de virada é mais gostoso" e por aí vai a série de imbecilidade. Obviamente eu também sou um crente da esperança. Mas, há falhas em ambas as frases acima citadas. Na primeira é que, se o mundo dá voltas, logo, ele dá voltas. Um tanto redundante, veja bem, entretanto, ele dar voltas significa no contexto da frase que o mesmo não para nunca. Ou seja, se está ruim para você agora, tenha certeza que em breve estará ruim de novo, senão pior. Quanto a ganhar de virada, acho bastante arriscado deixar alguém sair na frente, ou achar isso de alguma forma bom. Por isso não gosto de futebol. Primeiro por ser um esporte coletivo, as vezes você depende mais dos outros do que de si mesmo. E, talvez, os jogadores não prestem de forma tal, que mesmo sendo um gênio da bola, seu time sempre irá mal.Além disso, é um esporte que já pressupõe derrota antes mesmo do fim de jogo. Tenho preferência por esportes do tipo inesperados, tipo sinuca. O adversário sair na frente pode ser uma questão de estratégia, e mesmo assim ninguém pode dizer que ele está vencendo por estar encaçapando mais bolas. É o tipo de jogo que até mesmo o melhor jogador pode cometer suicídio (encaçapar a bola branca). Desse jeito o outro não precisa nem mesmo derrubar uma bola sequer. Em alguns caso, o segundo jogador nem dá sua tacada, pois o primeiro já se mata na tacada de saída. Um esporte que não pressupõe "viradas" espetaculares ou o prazer das mesmas, mas, ao menos, àqueles acostumados a jogar, oferece muitas mais chances de vitória. É um jogo de precisão, individualista e de estratégia, você não pode culpar ninguém por uma má jogada além de si mesmo.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Para Pedro, Pequena Poesia
Parece Pedro Plumar em Pranto
Pasmado, Pobre Pequeno
Pediste Pouco
Pairando Pelo Pescoço a Perfídia
Pingaste Promar
Pelo Pato, Pagou Penas
Perdido, Portanto
Pescava Pálidos Palácios
Penguntando Pois:
- Por que?
Pasmado, Pobre Pequeno
Pediste Pouco
Pairando Pelo Pescoço a Perfídia
Pingaste Promar
Pelo Pato, Pagou Penas
Perdido, Portanto
Pescava Pálidos Palácios
Penguntando Pois:
- Por que?
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Pescoço e guilhotina
Faça ser
obrigação
um pedaço
como favor
Aí, eu desprezo
paro no caminho
e tanto faz que siga
de vítima, pois
meu estado
é só
então
me veja
mas passe adiante
obrigação
um pedaço
como favor
Aí, eu desprezo
paro no caminho
e tanto faz que siga
de vítima, pois
meu estado
é só
então
me veja
mas passe adiante
terça-feira, 6 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Enquanto as estações não passam
O texto a seguir é uma homenagem ao meu amigo Cesar Carvalho e a sua descrença sobre os poetas também serem ótimos roteiristas de Hollywood.
Aconteceu comigo, no trem, e foi mais ou menos assim:
Almocei naquele dia mais cedo, precisava cumprir minha obrigação de ir ao centro do rio pesquisar, a boa função de qualquer historiador (ou pelo menos um que se julga assim). Como precisava estar no arquivo por volta de uma da tarde saí de casa no horário habitual em que saía todas as vezes em que ia trabalhar. Houve no meio do caminho um pequeno contratempo, encontrei uma velha conhecida e esta me tomou dois ou três minutos de atenção. Quando ela me liberou segui normalmente meu trajeto até a estação. Eis que quando estou subindo o trem já está parando. Ainda me esforcei numa pequeda corrida escada acima e depois escada abaixo, mas, perdi o trem. Obviamente, maquinado como sempre, eu calculava minha saída de casa contando com eventuais atrasos, logo, me antecipava para que nesses casos eu não me atrasasse (não muito que fosse). Sentei-me em um banco e liguei meu mp4 para ouvir Gogol Bordello. Em exatos 7 minutos outro tem despontou vindo de Japeri em direção a Central do Brasil. Fui nele. Estava vazio, exceto pelos acentos todos ocupados. Sem querer me direcionei para a frente de um homem do qual analisei não demorar para desocupar o lugar. Por uns instantes não notei a graciosidade que estava do seu lado direito. Quando o fiz, dei por sortudo de observar tão bem que o coroa já ia saindo do trem. Soltou não mais que duas estações depois que eu entrei. De um lado eu estava embasbacado com a beleza da garota que quase a minha frente estava sentada. Ela tinha cabelo liso e cumprido. Era escuros, mas não pretos. Depois, quando sentei ao seu lado, pude reparar que à luz do sol refletia uma espécie de castanho, quase averlhado. Usava óculos com um detalhe em violeta. Aquela desconhecida era tão branca que me dava angústia saber que existia sol. Suas bochechas estavam levemente rosadas, não sei se pela maquiagem ou se natural. Estava entretida ouvindo música diretamente do seu celular. Balançava as pernas suspensas no ar. Não fazia o tipo alta, prova é que seus pés não tocavam o chão do trem enquanto estava sentada. As vezes ela soltava um leve risinho e me pareceu muito aliviada quando o senhorzinho levantou-se saindo do seu lado. Como um rato louco que vai direto no queijo sem se importar com a ratoeira eu me sentei ao seu lado. Ávido! Por um lado eu queria ter continuado a sua frente, só para lhe admirar o rosto, face a face. Tentar pescar nos seus olhos qualquer interesse em mim. Mas que bobeira, era só uma desconhecida. Ao mesmo tempo, me policiava para não olhar tanto para ela, estava com um medo incrível de que meus olhos traíssem meus pensamentos. Estava eu sentado ao seu lado. Nós dois ouvindo música. Sentia que assim tínhamoos alguma coisa em comum. Talvez eu até perguntasse a ela o que estava ouvindo. Tão logo ajustei o volume dos fones ela tirou os dela. Se inclinou para frente se apoiando nas mãos, que por sua vez tinha os cotovelos apoiados na bolsa que estava em suas pernas. Fechou os olhos. Eu não podia acreditar que ela ia dormir e não olharia para mim. Pois é, se não falei, falo agora. Até aquela hora ela não tinha olhado para mim. Parecia que o sono dela tinha passado pra mim, mas não fechei os olhos, me negava a perder qualquer momento de vista aquela figura. Levantei os braços tentando me espreguiçar e não incomodar nem a bela adormecida, nem a minha vizinha da esquerda. Apoiei meu braço direito então no espaço entre as costas da desconhecida e a janela. Chegamos em cascadura. Ela se mexeu um pouco, achei que ia levantar. Eu estava torcendo para que as estações não passassem mais, podia ficar ali daquele jeito o resto do dia. Melhor ainda foi quando ela caiu no meu ombro. Se recostou no ombro pegando também parte do meu peito. Um frio me correu na espinha. O coração acelerou. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Ela não podia ter pegado no sono tão rápido. Milhares de pensamentos passaram na minha cabeça. Achei que era um sono fingido só para se aproximar. Depois concluí que só estava mesmo cansada. Cheguei a pensar que tinha morrido e caído de lado. Entretanto, recostada em mim ela ficou até a Central. Quando lá chegamos ela despertou num susto. Olhou pra mim com uma cara de interrogação. Provavelmente eu lhe devolvi a interrogação. Ela sorriu e descupou-se. Botou a bolsa nos ombros e seguiu seu rumo quando as portas se abriram. Eu fiquei ali sentado imaginando que deveria tê-la pegado na mão e agradecido por aquela prazeirosa viagem. Foi uma paixão entre estações. Uma paixonite de trem, que tão logo veio logo passou. Foi rápido e não me feriu. Jamais ei de esquecer.
Aconteceu comigo, no trem, e foi mais ou menos assim:
Almocei naquele dia mais cedo, precisava cumprir minha obrigação de ir ao centro do rio pesquisar, a boa função de qualquer historiador (ou pelo menos um que se julga assim). Como precisava estar no arquivo por volta de uma da tarde saí de casa no horário habitual em que saía todas as vezes em que ia trabalhar. Houve no meio do caminho um pequeno contratempo, encontrei uma velha conhecida e esta me tomou dois ou três minutos de atenção. Quando ela me liberou segui normalmente meu trajeto até a estação. Eis que quando estou subindo o trem já está parando. Ainda me esforcei numa pequeda corrida escada acima e depois escada abaixo, mas, perdi o trem. Obviamente, maquinado como sempre, eu calculava minha saída de casa contando com eventuais atrasos, logo, me antecipava para que nesses casos eu não me atrasasse (não muito que fosse). Sentei-me em um banco e liguei meu mp4 para ouvir Gogol Bordello. Em exatos 7 minutos outro tem despontou vindo de Japeri em direção a Central do Brasil. Fui nele. Estava vazio, exceto pelos acentos todos ocupados. Sem querer me direcionei para a frente de um homem do qual analisei não demorar para desocupar o lugar. Por uns instantes não notei a graciosidade que estava do seu lado direito. Quando o fiz, dei por sortudo de observar tão bem que o coroa já ia saindo do trem. Soltou não mais que duas estações depois que eu entrei. De um lado eu estava embasbacado com a beleza da garota que quase a minha frente estava sentada. Ela tinha cabelo liso e cumprido. Era escuros, mas não pretos. Depois, quando sentei ao seu lado, pude reparar que à luz do sol refletia uma espécie de castanho, quase averlhado. Usava óculos com um detalhe em violeta. Aquela desconhecida era tão branca que me dava angústia saber que existia sol. Suas bochechas estavam levemente rosadas, não sei se pela maquiagem ou se natural. Estava entretida ouvindo música diretamente do seu celular. Balançava as pernas suspensas no ar. Não fazia o tipo alta, prova é que seus pés não tocavam o chão do trem enquanto estava sentada. As vezes ela soltava um leve risinho e me pareceu muito aliviada quando o senhorzinho levantou-se saindo do seu lado. Como um rato louco que vai direto no queijo sem se importar com a ratoeira eu me sentei ao seu lado. Ávido! Por um lado eu queria ter continuado a sua frente, só para lhe admirar o rosto, face a face. Tentar pescar nos seus olhos qualquer interesse em mim. Mas que bobeira, era só uma desconhecida. Ao mesmo tempo, me policiava para não olhar tanto para ela, estava com um medo incrível de que meus olhos traíssem meus pensamentos. Estava eu sentado ao seu lado. Nós dois ouvindo música. Sentia que assim tínhamoos alguma coisa em comum. Talvez eu até perguntasse a ela o que estava ouvindo. Tão logo ajustei o volume dos fones ela tirou os dela. Se inclinou para frente se apoiando nas mãos, que por sua vez tinha os cotovelos apoiados na bolsa que estava em suas pernas. Fechou os olhos. Eu não podia acreditar que ela ia dormir e não olharia para mim. Pois é, se não falei, falo agora. Até aquela hora ela não tinha olhado para mim. Parecia que o sono dela tinha passado pra mim, mas não fechei os olhos, me negava a perder qualquer momento de vista aquela figura. Levantei os braços tentando me espreguiçar e não incomodar nem a bela adormecida, nem a minha vizinha da esquerda. Apoiei meu braço direito então no espaço entre as costas da desconhecida e a janela. Chegamos em cascadura. Ela se mexeu um pouco, achei que ia levantar. Eu estava torcendo para que as estações não passassem mais, podia ficar ali daquele jeito o resto do dia. Melhor ainda foi quando ela caiu no meu ombro. Se recostou no ombro pegando também parte do meu peito. Um frio me correu na espinha. O coração acelerou. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Ela não podia ter pegado no sono tão rápido. Milhares de pensamentos passaram na minha cabeça. Achei que era um sono fingido só para se aproximar. Depois concluí que só estava mesmo cansada. Cheguei a pensar que tinha morrido e caído de lado. Entretanto, recostada em mim ela ficou até a Central. Quando lá chegamos ela despertou num susto. Olhou pra mim com uma cara de interrogação. Provavelmente eu lhe devolvi a interrogação. Ela sorriu e descupou-se. Botou a bolsa nos ombros e seguiu seu rumo quando as portas se abriram. Eu fiquei ali sentado imaginando que deveria tê-la pegado na mão e agradecido por aquela prazeirosa viagem. Foi uma paixão entre estações. Uma paixonite de trem, que tão logo veio logo passou. Foi rápido e não me feriu. Jamais ei de esquecer.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Alguém chamado Neto
Fazia tempo que sua vida se resumia em assistir o tempo se arrastar. Acordar passou a ser um fardo que o jovem escondia sob sua face tranquila. Vezes tinha tanto ânimo que era capaz de sorrir as mínimas bobeiras de um dia. Outras não queria sair de seu lugar, enclausurado pela sensação fugaz de um vazio que parecia se alimentar de sua energia. Fosse como fosse, parecia um corpo sem alma. Tinha os olhos fundos e espertos. Seu ar de cansado lhe oferecia traços de intelectualidade. Fazia dias que a barba crescia e que sua aparência não mais importava. Parecia estar vivendo num estado de semiconsciência, uma espécie de coma as avessas. Flagrava-se muitas vezes andando sem rumo pelos cômodos da casa. Ia do quarto para a cozinha, parava e nada fazia. Então sentava na sala e ligava a tv em qualquer canal. As imagens distraíam-no, muito embora ele já não fosse capaz de acompanhar as rápidas sequências que via. O rapaz estava desnorteado e sabia disso. Pensar numa solução lhe constrangia a pele, tudo apontava para um fim solitário. De alguma maneira, doentia talvez, ele desejava o fim. Ao mesmo tempo queria também viver. Para ele estar vivo era diferente de viver. Ou pelo menos diferente de viver em função de alguma coisa. Justamente isso o desprendia a atenção: viver em função de algo. Existia sempre um pormenor. Um detalhe não resolvido. Uma folha para assinar. Parecia que para ter vida precisava de aprovação. De fato precisava. Tinha plena noção do sistema do qual fazia parte, e em maior ou menor grau contribuía para ele. Falava de burocracia, mas era lá um burocrático. Metódico. Odiava se atrasar, pois afinal não tinha tempo a perder. Entendeu cedo que o tempo não pertencia a ninguém. Mesmo assim era pontual. A cada dia que nascia ele tentava fazer nascer em si a esperança. Buscava-se num autoconvencimento admirável. Muito me emocionei vendo esse jovem lutando contra seus próprios pensamentos. Entretanto, não demorava muito, logo tudo parecia gasto. De repente os objetivos passaram à hábitos. Estava sendo domesticado. Sua voz prendia, olhava para os lados e qualquer um que pudesse vê-lo incentivava isso. Preferiu, de uns tempos pra cá, ser uma sombra de si mesmo. Levantar o polegar num gesto de aprovação e sorrir, como se no fundo concordasse. Fingia paciência com aqueles que lhe fingiam atenção. Ninguém podia entendê-lo e ele não conseguia se expressar. Como eu queria poder dizer a ele: "Olha, eu me compadeço de sua dor. Não queres tu dividi-la comigo?" - Provavelmente ele diria não... e fim.
Assinar:
Comentários (Atom)