sábado, 29 de outubro de 2011

Para ser considerado

O tempo passa, as pessoas mudam, a sociedade muda, os valores mudam, enfim. A verdade é que vivemos num eterno "processamento" e como já disse Dary Jr. 'o que hoje me dá nojo ontem foi o meu desejo.'
Não lembro de muitas coisas da minha infância. Ao contrário do que geralmente ouço ou leio por aí, não tive uma infância com pipa, gude ou pião. Essas coisas existiram, algumas ainda existem, não com a força de antes, mas ainda firmes em suas causas. Há quem reinvindique para si, pautado exclusivamente em sua própria vivência e, desconsiderando assim, quaisquer outra experiência, o título (se é que podemos chamar assim) de uma "verdadeira infância." Andar descalço ralando os pés, pique esconde, pique pega e outros piques, brincadeiras típicas das ruas fundamentando (mediante a gratuitas opiniões) o que de fato era ser criança. Atualmente, estamos em face da informação. Rápida informação. Os anos passaram e com ele a tecnologia mudou sua cara. Antes: rádio de pilha, difícil de sintonizar. Depois: qualquer coisa minúscula com capacidade para uma infinidade de músicas. Se as crianças hoje, desde cedo, estão a par das redes sociais mais comuns como facebook, badoo, msn, orkut e afins, não há porque nega-las o direito de uma "verdadeira infância". Simplesmente os tempos mudaram e daqui algumas décadas, talvez, elas também reinvindiquem a sua antiga infância impregnada de virtualidade perante a um novo conceito de infância que vai surgir. De tudo que vejo por aí relacionado a essa ênfase nostálgica e a um "infantinocentrismo" exacerbado, tem-se a conclusão, ao menos aparentemente, de que a culpa é dos pequeninos. Não foram eles que trocaram a "Caverna do Dragão" (o desenho sem fim) por "Hannah Montana". Nem criaram "text messages" para se comunicar mais rápido que as velhas "cartas".  Desde Graham Bell até hoje o telefone deixou de fazer apenas ligações e, se bobear, temos modelos que passam até roupa. Essa nova infância inventa suas próprias maneiras de se divertir com o que lhes está à mão. Ninguém em qualquer tempo pode falar sobre a "verdadeira infância", ou melhor, ninguém do século XVIII para cá, pois antes disso infância não existia.

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