E lá que estava o velho, num corpo juvenil, perdido novamente. Fazia tempo que a memória lhe falhava e que os dias se tornavam cada vez mais curtos. Uma mão lhe comprimia a nuca, tudo doía somente por abrir os olhos para piscar. Era aquilo que chamavam de passado? – pensava por um instante – instantes que construíram moradas em sua cabeça. Estava definhando pelas memórias, quase sempre pueris e latentes como o fogo dos infernos. À sua frente o passado não era menos que um gigante. Um fantasma de feições mortais e dedos longos que lhe esmagavam. Seus pensamentos o levaram por lugares obscuros, nunca antes conhecidos por ele. Entretanto, mesmo sob a prensa violenta que tirava seu ar, o velho sentava na cadeira de balanço com seu cachimbo, aceitando sem resistir sua condição.
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