Pigarreou enquanto subia na mesa. Desejava atenção. Desejava falar. Do alto, olhou em volta, aparentemente embriagado, clamando para as moscas:
"Por favor, saibam. Amanhã, pobres bastardos, o dia não será melhor. Vislumbrem aqui seus futuros" - e aqui pegou um copo, esvaziando no chão o seu líquido - "isto..." - falou pausadamente - "isto é o que virá" - então, com raiva, jogou o copo que se partiu em centenas na parede. - "Estes serão vocês. Serei eu. Ah, maldito equívoco de viver. Porque uma punição tão vil, se nasci inocente?" - então, o rapaz, começou a andar de um lado para o outro da mesa, e prosseguiu - "Quantas vezes ao dia sentem a angústia corroer? O coração acelera como se quisesse explodir dentro do seu peito. Nós que vivemos somos tolos. Tacanhos em nossa natureza. Nos mais gananciosos dias, vivi por dinheiro. Nos mais vaidosos, por reconhecimento. Nos mais poéticos, vivi por amor. Desgraças atrás de desgraças, nunca vivi por viver. Somente pelo simples fato de estar aqui, pulsando, com sangue nas veias. Respirando o ar sujo dos dias quentes, dos dias frios e dos dias indiferentes. Pequei mil vezes quando acordei e só quis enfiar uma bala na cabeça? Seus silêncios só destacam minha solidão. E a vida não é nada mais do que a mão que arremessa o copo contra a parede. Estou certo de que não há espaço para nós, ou missão a cumprir."" - desceu da mesa e foi sentar no centro da sala vazia.
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