Corri sem rumo, como quem traga o fumo por prazer
Por prazer me traga um rumo, corri sem prumo
Sem fim nem afim, tanto por mim quanto ninguém
Fui além, do fim e de mim, traguei meu rumo
Mastigando o fumo para cuspir por mim
Cansado eu fui, faltando ar e chão
E do infinito desejável alcancei metade
Parei no meio onde enxergam fim.
sábado, 30 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Rondó (Pedro Rezende)
"You've got a friend in me"
Randy Newman
Quando aflito estou, tu falas
e me calas o sofrer.
Por eu ter um grande amigo,
sei que sigo sem temores.
No Altruísmo tens teu lema:
"Não deixai jamais o irmão
tragar pó de solidão".
Em teu tema, vive ardores.
Uma estrela mora em ti,
generosa qual Teresa;
Uma chama vive acesa
bem aqui por entre flores.
Quando aflito estou, tu falas
e me calas o sofrer.
Por eu ter um grande amigo,
sei que sigo sem temores.
Na bebida, um riso ferve;
Na alegria, sossegamos;
E em vitória brindamos
Toda a verve dos amores.
Dediquei-te este rondó -
Tens um nome que é de rei;
és poeta e tens a lei
de não só viver de dores.
Quando aflito estou, tu falas
e me calas o sofrer.
Por eu ter um grande amigo,
sei que sigo sem temores.
Randy Newman
Quando aflito estou, tu falas
e me calas o sofrer.
Por eu ter um grande amigo,
sei que sigo sem temores.
No Altruísmo tens teu lema:
"Não deixai jamais o irmão
tragar pó de solidão".
Em teu tema, vive ardores.
Uma estrela mora em ti,
generosa qual Teresa;
Uma chama vive acesa
bem aqui por entre flores.
Quando aflito estou, tu falas
e me calas o sofrer.
Por eu ter um grande amigo,
sei que sigo sem temores.
Na bebida, um riso ferve;
Na alegria, sossegamos;
E em vitória brindamos
Toda a verve dos amores.
Dediquei-te este rondó -
Tens um nome que é de rei;
és poeta e tens a lei
de não só viver de dores.
Quando aflito estou, tu falas
e me calas o sofrer.
Por eu ter um grande amigo,
sei que sigo sem temores.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Um passo.
A qualidade do que é perfeito torna-se um passo para a solidão.
Um caminho mal traçado, de percalços e sinuoso
Pronto para fazer derrapar um descuidado coração
Você põe o dedo na minha cara, disposto a ameaçar
Alguém que só carinhos te ofereceu.
Sentimentos leves doem mais que socos no estômago.
E pode até gritar enquanto me bate, eu não vou chorar.
A qualidade de um rosto inxado torna-se pó de arroz...
Maquiagem foram as noites que fingi prazer na cama.
Pode pegar a arma e declarar seu suicídio de justiça pessoal.
Eu só quero a liberdade de não ter você me pressionando num murro certeiro.
Caseiro, costumeiro, derradeiro. O seu fim é meu brinde a perfeição.
E um desastre, como acertar o olho na maçaneta da porta é só um detalhe.
Óculos escuros e um sorriso convincente podem disfarçar um passo para a solidão.
Um caminho mal traçado, de percalços e sinuoso
Pronto para fazer derrapar um descuidado coração
Você põe o dedo na minha cara, disposto a ameaçar
Alguém que só carinhos te ofereceu.
Sentimentos leves doem mais que socos no estômago.
E pode até gritar enquanto me bate, eu não vou chorar.
A qualidade de um rosto inxado torna-se pó de arroz...
Maquiagem foram as noites que fingi prazer na cama.
Pode pegar a arma e declarar seu suicídio de justiça pessoal.
Eu só quero a liberdade de não ter você me pressionando num murro certeiro.
Caseiro, costumeiro, derradeiro. O seu fim é meu brinde a perfeição.
E um desastre, como acertar o olho na maçaneta da porta é só um detalhe.
Óculos escuros e um sorriso convincente podem disfarçar um passo para a solidão.
sábado, 16 de abril de 2011
Conto de passagem para o céu
Morreu depois de beber, foder e tentar se matar. Morreu não sei de que, mas se olhasse para o tribunal, ele estava lá. Priva-lo-ei de expor sua identidade, em detrimento disso chamaremos o dito de Uíliam Maltose. Ou só Uílam, como queiram. No princípio, ao contrário do que diz Gênesis, Deus fez o mundo. Nisso Gene estava certo, mas, o mundo não era bom. Antes mesmo de criar bonecos de brincar, o Senhor todo poderoso, oniciente como só, sabia que a criação seria um desastre. O que fez então o altíssimo? Destruiu aquilo que seria uma vergonha para si? Não. Claramente que não. Ele criou um tribunal. A função desse tribunal era parecer o mais justo possível às almas, mas, fim ao cabo, no exato momento da morte uma setença já se tinha. Pela sua idade avançada e sofrida vida de acompanhamento a minuciosos detalhes mundanos, Deus sofria de incontigência urinária. Uma informação deveras importante e que determinará o destino de Uíl. De Uíliam foi para Uíl, mania nossa de abreviações. Por falar em abreviações, volto a primeira linha dessa narrativa. Uíl tentou abreviar sua passagem na terra. Mas sem o êxito dos verdadeiros suicídas, conseguiu apenas: um pescoço marcado por corda, algumas cicatrizes no pulso e uma coçeira desmedida nas regiões íntimas de seu corpo (fato ocasionado pela tomada abusiva de um determinado remédio, Uíl nunca foi muito de ler bulas, quanto mais os efeitos colaterais.) Foder nesse caso tem sentido literal e figurativo. Excelente golpista que era, Uíl conquistava as coroas e usurpava sua grana. Bêbado por natureza, o jovem rapaz virava um hábil boxeador feminino quando estava embriagado. Esses são apenas alguns dos possíveis pecados dos quais o Diabo podia se utilizar para levar a alma de Uíl para o inferno. Citando o cão, devemos trata-lo aqui com respeito. A figura que se tinha no tribunal era esbelta, de feições frias e até bonitas. Seu rosto era impassível, não era possível notar se pertencia ao sexo masculino, feminino ou se não tinha sexo. Falava com uma voz de veludo, dessas bem suaves que parecem música aos ouvidos. O cheiro de enxofre sempre fora balela contada pela(s) igreja(s). Era um cheiro de rosas, flores, o que talvez pudesse, bem de longe, associar-se a cemitérios. O diabo estava ansioso, era hora de levar uma alma mais para o submundo. O julgamento começa atrasado. Aguardavam todos a presença do não tão onipresente assim, Deus. Diabo ataca mostrando a lista métrica de pecados, erros, ilegalidades, amoralidades, cometidas por Uíl. Aquilo que o Demo não sabia era que, Uíl era um devoto do senhor. Sim! Uma reviravolta em nossa trama... Uíl era o famoso pastor "edificando a Cristo nosso Senhor", concedia muitas vitórias, curas e cestas básicas, tudo em nome do Poderoso. A cada erro cometido, Uíl imediatamente pedia perdão e tão logo era absolvido. O diabo ficou em fúria. Apelou para sua última cartada. Narrou que momentos antes de sua morte, Uíl havia pecado como o mais vil ser humano do mundo e não havia tido tempo de pedir perdão. Foi nessa momento que Deus se levantou para mijar e por isso o atraso no julgamento! Preocupado em balançar o instrumento, o Digníssimo não esteve atento a falha de Uíl, logo, se não viu não aconteceu. Impelido e obstinado a não deixar o Diabo vencer a batalha argumentativa, Deus aplicou a sentença que destinava a alma de Uíl a compadecer no céu juntamente com 72 virgens. Enlouquecido, furioso, soltando fogo pelas ventas, o Diabo lhe acusou de injustiça. Deus replicou dizendo que ele era a justiça. O Diabo voltou com o rabo entre as pernas, enquanto Uíl, mais um sujo pecador, adentrava no céu.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Mulher Bomba (Beto Cupertino)
Se eu pudesse surpreender
O seu sono com um pouco do sonho
Com o que você me infernizou
Quando se mudou
Que eu espero de você é uma morte bela
E que haja beleza na morte do que a gente foi
O seu sono com um pouco do sonho
Com o que você me infernizou
Quando se mudou
Que eu espero de você é uma morte bela
E que haja beleza na morte do que a gente foi
E nem sempre há
O que é bom pra você, não é bom pra mim
Porque o que é bom pra nos 2 é tão ruim?
O que é bom pra você, não é bom pra mim
Porque o que é bom pra nos 2 é tão ruim?
Eu sempre volto a rir, quando você sumir
Dizer que há maldade em fazer o que eu sempre quis
É não ter bondade pra ver o que eu sempre fiz
E eu sempre volto a rir, quando você explodir
Dizer que há maldade em fazer o que eu sempre quis
É não ter bondade pra ver o que eu sempre fiz
E eu sempre volto a rir, quando você explodir
Então pegue seu rabo e vá oferece-lo bem longe
Pegue seu carro e vá pra algum lugar bem longe
Pegue seus peitos e vá oferece-los bem longe
Pegue seu carro e vá pra algum lugar bem longe
Pegue seu carro e vá pra algum lugar bem longe
Pegue seus peitos e vá oferece-los bem longe
Pegue seu carro e vá pra algum lugar bem longe
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Parte do fim
há beleza no fim...
é preciso enxerga-la quando tudo mais já não funciona
quando os sorrisos do outro são facadas na sua alma
deve existir beleza em não se ter um porto seguro
ter seu barco sempre a deriva
sem a preocupação de se esconder do sol
sob as telhas de um amor furado
como se o porto seguro fosse meu, mas nunca tivesse me pertencido
e eu só pensasse em tacar-lhe pedras em vez de reforma-lo
lá eu não podia aportar, o que faria então?
eu navegava, compartilhando alegrias e tristeza com amigos
não que isso fizesse parar a quase dor que eu sentia
digo quase porque dor é sinônimo de amor
se eu não tive amor também não teria dor
foi só um pequeno arranhão na estrutura, nada que me faça afundar
e daquele sol se pondo no mar eu só espero uma morte bela
---
Obs: no trecho sobre "uma morte bela" faço honras ao autor da ideia Beto Cupertino (mesmo que ele não saiba da existência desse blog), em sua letra "Mulher Bomba", que em breve será postada aqui
é preciso enxerga-la quando tudo mais já não funciona
quando os sorrisos do outro são facadas na sua alma
deve existir beleza em não se ter um porto seguro
ter seu barco sempre a deriva
sem a preocupação de se esconder do sol
sob as telhas de um amor furado
como se o porto seguro fosse meu, mas nunca tivesse me pertencido
e eu só pensasse em tacar-lhe pedras em vez de reforma-lo
lá eu não podia aportar, o que faria então?
eu navegava, compartilhando alegrias e tristeza com amigos
não que isso fizesse parar a quase dor que eu sentia
digo quase porque dor é sinônimo de amor
se eu não tive amor também não teria dor
foi só um pequeno arranhão na estrutura, nada que me faça afundar
e daquele sol se pondo no mar eu só espero uma morte bela
---
Obs: no trecho sobre "uma morte bela" faço honras ao autor da ideia Beto Cupertino (mesmo que ele não saiba da existência desse blog), em sua letra "Mulher Bomba", que em breve será postada aqui
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Arranha Céu
Observava através das janelas o movimento da vida do lado de fora. A gravata apertava seu pescoço, sua fé afrouxava a imaginação. Sentia que mesmo numa cadeira giratória, se fechasse os olhos, poderia girar pelo mundo. O sol já se preparava para dormir, uma vista maravilhosa, se não fosse os prédios em volta.
De terno amarrotado, só queria descalçar os pés e se jogar na cama macia. Por hora continuava observando, mudou o foco para dentro de si. Ali pode notar coisas grandiosas, de tal forma que não seria possível mensurar.
Descobriu um verdadeiro mundo por trás dos seus próprios olhos. Nunca tinha se visto tão de perto, era assustadora a precisão do traços. Sentiu vontade de respirar o mormaço da chuva que antes limpou as janelas.
Prensado pelo paletó que não lhe dava descanso, somente inquietação. Seu corpo se consomia enquanto tirava as roupas e saltava em pares os degraus para cobertura; Era mais rápido subir, estava nas alturas, num arranha céu, literalmente. Decidiu que arranhar o céu não seria apenas particularidade dos prédios. Todo limite e falha por detrás das janelas irrompiam naquele lugar. Correu sem a preocupação que lhe seguia tombar e da beira pulou para imensidão azul. Sem gravata, paletó ou janelas. Vislumbrou o sol, enquanto pairava no ar. Finalmente arranhou o céu com suas unhas bem cortadas e polidas. Em tanto tempo de existência, pensou consigo, aquele espaço azul jamais recebeu melhor carinho.
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