segunda-feira, 4 de abril de 2011

Arranha Céu

Observava através das janelas o movimento da vida do lado de fora. A gravata apertava seu pescoço, sua fé afrouxava a imaginação. Sentia que mesmo numa cadeira giratória, se fechasse os olhos, poderia girar pelo mundo. O sol já se preparava para dormir, uma vista maravilhosa, se não fosse os prédios em volta.
De terno amarrotado, só queria descalçar os pés e se jogar na cama macia. Por hora continuava observando, mudou o foco para dentro de si. Ali pode notar coisas grandiosas, de tal forma que não seria possível mensurar.
Descobriu um verdadeiro mundo por trás dos seus próprios olhos. Nunca tinha se visto tão de perto, era assustadora a precisão do traços. Sentiu vontade de respirar o mormaço da chuva que antes limpou as janelas.
Prensado pelo paletó que não lhe dava descanso, somente inquietação. Seu corpo se consomia enquanto tirava as roupas e saltava em pares os degraus para cobertura; Era mais rápido subir, estava nas alturas, num arranha céu, literalmente. Decidiu que arranhar o céu não seria apenas particularidade dos prédios. Todo limite e falha por detrás das janelas irrompiam naquele lugar. Correu sem a preocupação que lhe seguia tombar e da beira pulou para imensidão azul. Sem gravata, paletó ou janelas. Vislumbrou o sol, enquanto pairava no ar. Finalmente arranhou o céu com suas unhas bem cortadas e polidas. Em tanto tempo de existência, pensou consigo, aquele espaço azul jamais recebeu melhor carinho. 

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