terça-feira, 28 de junho de 2011

À minha suja amante

Tem-se cálido o que é meu peito
Hoje é o dia da transação.
Transa, ação. Às minhas sujas amantes.
Não me excita o zelo da dona de casa...
Sua comida até que é boa, mas o tempero da rua tem sido melhor.
E não é pelas pernas peludas nem pelo cabelo descuidado.
Também não é pela verruga ou a pele maltratada.
O motivo não sei, talvez o nojo de me sentir preso
A um monstro castigado pelo tempo.
Minhas amantes não envelhecem, elas se renovam.
Um dia loiras, noutro negras, as vezes ruivas. Todas de pele lisa como seda.
A elas dou o carinho que falta em casa.
Dou-lhes presentes deixando dívidas que sobram em casa.
Preencho fisicamente um espaço que falta no coração.
A verdadeira amante suja lava a minha roupa.
Beija minha boca e se sente culpada pela minha rejeição.
É impossível ter algum afeto por esse tipo de animal.
Dela eu só espero a casa arrumada e comida na mesa.
Escrevo hoje para as belas da rua, e se existe algo de bom mim
Com certeza ficou dentro da puta nua, num quarto barato com baratas a espiar.

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