sexta-feira, 22 de julho de 2011

Romance Juvenil Operário (Terminal Guadalupe)

É tão cedo e já me sinto bem cansado
O café não reanima e eu tenho de trabalhar

Mas eu vou
(Mãos à obra então)
Cosquistar
(É a redenção)
Seu amor
(Ter por quem lutar)
Meu lugar

Prometo em verso e proza
Te dou a rosa no caminho
O espinho enfrentarei
Se a vida faz sentido
Venha comigo é destino
Desatino eu não sei
No caminho acovardei
Nem desisti

O dia chega sempre em ônibus lotado
Você não me reconhece só respira o mesmo ar

Mas eu vou
(Mãos à obra então)
Cosquistar
(É a redenção)
Seu amor
(Ter por quem lutar)
Meu lugar

quinta-feira, 21 de julho de 2011

No seu lugar

Um invasor
Causando leve ameaça
Nada causando
Um bom rapaz
Que nos desvios da vida
Sem relevância se tornou
De culpas difíceis
Para assumir
Vistas condenativas longe de cessar
Bastou-lhe dois ou três
Ninguém julga por ser reto
Justiça compreensível
Mas pesada
Fardo não simples de suportar
Esperança em frangalhos
Seu desejo se abala
O acaso parece distante
Outro dia
Outra vida talvez
Para ajustar um velho invasor
No seu lugar

domingo, 10 de julho de 2011

Meu rim por Natasha


Casei.
E logo no primeiro dia da lua de mel tive um sonho.
Na verdade, fora um pesadelo.
Eu amava Natasha.
Mas no sonho ela enfiava uma faca em minhas costas.
Mais precisamente na coluna.
Não me matava só me imobilizou
Enquanto isso eu via tudo.
Com a frieza de um cirurgião ela arrancou-me um rim.
Deu pontos de marinheiro
Nem ligou para os lençóis sujos de sangue.
Colocou um sorriso de lado
E saiu com meu rim.
Acordei de sobressalto.
Verifiquei se não havia cicatrizes em mim.
Não as tinha.
Liguei para meu advogado
Acordei Natasha
Pedi o divórcio.
Larguei o amor da minha vida
Só por causa de um sonho ruim.
Que idiota, disseram todos.
Meses depois Natasha fora presa
Acusada de traficar órgãos na fronteira Brasil-Paraguai
Isso explicava suas semanas de ausência
Desde então trancafiei meu coração
E prometi não mais amar.
Preferia perder um rim para Natasha
Do que perder meu coração de novo para o amor.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Beatriz

Há tempos me apaixonei por Beatriz
Como morri de amores por aquela mulher
Era atordoante dormir pensando nela
E sonhar um belo sonho com a sua figura
Meu coração se aquecia de ouvir seu nome
Enquanto eu sorria que nem criança
Ao saber que o seu batia por mim
Beatriz não era loira, morena ou ruiva
Talvez ela nem fosse desse mundo
Me apaixonei por uma verdadeira ninfa
Dessas que os poetas se entregam
Dessas que os poetas comparam as frutas
Pele de pêssego, beijo com gosto de maçã
Ah, quanta frivolidade...
Bia era uma salada de fruta completa
Com gotas, na medida, de leite condensado
Minha paixão arrancou minha alma
Com a alma se foi a paixão e sobrou a dor
A mulher dos meus sonhos
De beleza preternatural
Enfiou suas mãos
Com dedos compridos
E unhas ajeitadas
Dentro do meu peito (que pulsava)
Ah, como pulsava (meu coração)
Ainda teve audácia de afagá-lo
Antes de destroçá-lo sem dó
Como um gigante
Que de força descomunal
Estraça-lha uma rosa da primavera
Morri de amores por Beatriz
Bela atriz
E assim fui...
Infeliz

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um pouco sobre perdão.

Muitos sabem que não sou um homem de muita fé no transcendente. Entretanto, coincidentemente a certas situações na minha vida, tive a curiosidade de ler uma passagem do Livro Ágape, do Padre Marcelo Rossi. Não sou católico, budista, protestante ou publicitário para fazer propaganda. Mas, algum tempo atrás, uma pessoa me indicou a leitura de um capítulo deste livro. Aos curiosos, é o capítulo nono sob o título: "Amor fraterno", talvez transcreva algumas partes para o blog futuramente. Naquele tempo em que li o tal capítulo, acreditei piamente que aquela pessoa que o havia me indicado sabia, sentia e seguia o amor puro passado na obra do Padre. Neste mesmo livro, temos um capítulo sobre a capacidade de perdoar, exemplificado numa passagem bíblica sobre a mulher adúltera, fonte do conhecido axioma: "quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra", ou mais religiosamente falando: "quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra". Perdoar... não é uma capacidade divina. Não cabe apenas a Deus tal responsabilidade (considerando que exista um Deus). O perdão é humano. Um código de absolvição para qualquer mal feito mediante ao arrependimento posterior. Pouco compreendo da vida religiosa, mas independente dela, alguém que um dia me apontou o que é o amor não sabe hoje o que é perdoar? Enfim, segue abaixo a transcrição de alguns trechos dos quais achei interessante no capítulo sobre perdão do livro Ágape:
"Outro detalhe importante dessa passagem da vida de Jesus é o seu olhar para aquela mulher condenada. Ela buscava um olhar de compaixão. Ela sabia que não havia como se livrar daquela condenação. Mas a voz de Jesus afastou os seus acusadores. Ela ficou sozinha com Ele. Só Ele teria o poder de condená-la; afinal, Ele não tinha pecado. Ele teria o direito moral de condená-la. Mas não o faz. Ao contrário. Seu olhar confere a ela outra oportunidade. É a esperança. Ele permite que ela vá e amorosamente sugere-lhe uma nova vida." (ROSSI, p.60)
 "É uma nova chance. Uma nova oportunidade. É o amor, e não o ódio, que tem o poder de restaurar, de restabelecer o que ficou perdido na história de cada um." (ROSSI, pp.60-61)
Amigos e amigas, enfatizo que não sou um homem de fé para as coisas além da terra, das passagens transcritas tenho as minhas próprias críticas. Não quero evangelizar ninguém, nem espalhar a palavra por aí. Só deu-me vontade de tomar o mesmo meio a qual me orientaram que seria o amor, para, agora do outro lado, orientar sobre o que seria o perdão e de como ele depende de nós. Ao contrário, não teria lógica o "perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". 

quarta-feira, 6 de julho de 2011