Muitos sabem que não sou um homem de muita fé no transcendente. Entretanto, coincidentemente a certas situações na minha vida, tive a curiosidade de ler uma passagem do Livro Ágape, do Padre Marcelo Rossi. Não sou católico, budista, protestante ou publicitário para fazer propaganda. Mas, algum tempo atrás, uma pessoa me indicou a leitura de um capítulo deste livro. Aos curiosos, é o capítulo nono sob o título: "Amor fraterno", talvez transcreva algumas partes para o blog futuramente. Naquele tempo em que li o tal capítulo, acreditei piamente que aquela pessoa que o havia me indicado sabia, sentia e seguia o amor puro passado na obra do Padre. Neste mesmo livro, temos um capítulo sobre a capacidade de perdoar, exemplificado numa passagem bíblica sobre a mulher adúltera, fonte do conhecido axioma: "quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra", ou mais religiosamente falando: "quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra". Perdoar... não é uma capacidade divina. Não cabe apenas a Deus tal responsabilidade (considerando que exista um Deus). O perdão é humano. Um código de absolvição para qualquer mal feito mediante ao arrependimento posterior. Pouco compreendo da vida religiosa, mas independente dela, alguém que um dia me apontou o que é o amor não sabe hoje o que é perdoar? Enfim, segue abaixo a transcrição de alguns trechos dos quais achei interessante no capítulo sobre perdão do livro Ágape:
"Outro detalhe importante dessa passagem da vida de Jesus é o seu olhar para aquela mulher condenada. Ela buscava um olhar de compaixão. Ela sabia que não havia como se livrar daquela condenação. Mas a voz de Jesus afastou os seus acusadores. Ela ficou sozinha com Ele. Só Ele teria o poder de condená-la; afinal, Ele não tinha pecado. Ele teria o direito moral de condená-la. Mas não o faz. Ao contrário. Seu olhar confere a ela outra oportunidade. É a esperança. Ele permite que ela vá e amorosamente sugere-lhe uma nova vida." (ROSSI, p.60)
"É uma nova chance. Uma nova oportunidade. É o amor, e não o ódio, que tem o poder de restaurar, de restabelecer o que ficou perdido na história de cada um." (ROSSI, pp.60-61)Amigos e amigas, enfatizo que não sou um homem de fé para as coisas além da terra, das passagens transcritas tenho as minhas próprias críticas. Não quero evangelizar ninguém, nem espalhar a palavra por aí. Só deu-me vontade de tomar o mesmo meio a qual me orientaram que seria o amor, para, agora do outro lado, orientar sobre o que seria o perdão e de como ele depende de nós. Ao contrário, não teria lógica o "perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
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