quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Aos sete anos...

...quebrei o meu primeiro brinquedo.
Desde então não parei mais.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Veja só você

Bem, veja você onde chegamos. Não que isso seja um triste fim, lembre-se de que alguém deve sofrer a dor de ter se doado mais. Peço que não aponte-me o dedo, eu avisei antes de começar que não iria dar certo. Eu não fui feito para durar. Sem querer eu fui um cenário atraente, desafiador, vá saber o que se passou em sua cabeça. Ainda não sei se você sofre pelo que não pudemos ser, ou, se sofre por não me ver sofrer. Inclusive é o contrário, estou muito bem com nosso fim. Até comecei a beber café. Quando você me ligou chorando, me desculpe o deslize, mas esbocei um sorriso. Achei graça não ser eu naquela situação. Achei graça por já ter estado naquela situação. E quantas vezes nós fomos e voltamos, só para confirmar cada vez mais que nossos lugares não corriam paralelos. Nem apontavam na mesma direção. Ouvi gritos, entre os gritos as promessas, entre as promessas, frustrações. Eu te beijei na testa e sussurei "adeus" em seu ouvido. Fiquei por tempo suficiente pra te ver cair. Fui no limite só para te ver quebrar. Meu prazer não foi na sua dor, mas sim apunhalar nosso já desgastado... como é que se diz...(?) amor.

domingo, 28 de agosto de 2011

Fui escrever e desisti

Estava eu transtornado quando me pediram para escrever sobre...
Pensei por alguns instantes. Corri para pegar um lápis e papel. Parei sobre a mesa e esbocei as primeiras palavras. Elas foram mais ou menos assim: "...!". Achei uma verdadeira porcaria e apaguei.
Dei leves pancadas com o lápis em minha cabeça. Depois mordi a parte de metal onde fica a borracha.
Recorri as novas palavras nunca antes usadas. Recorri as palavras difíceis do dicionário também.
Resolvi que para falar de... era necessário parnasianismo.
Tentei sonetos, versos decassílabos, dodecassílabos. Mas eu não saí do monossílabo.
Deixei para lá as regras. Tentei comparar a natureza. Eu quebrava a ponta do lápis, eu apontava o lápis e nada saía. De transtornado fiquei distraído e depois frustrado.
Rasguei a folha toda suja com a fuligem do grafite pela força da borracha.
Uma folha branca agora em tons de cinza. No lixo.
Fui dormir e desisti de escrever.
Assim, sem mais nem...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A incansável busca do nunca

É um caminho tortuoso. Periódico. Frequente. Habitual. Sem descanso. Pautado apenas em fé. Esperança. Aquele "talvez um dia consigamos". Um caminho que só para quando a vida finda. Ou quando desistimos de caminhar. Ainda assim, está por vir. Está acontecendo. Processando. A todo momento tudo é uma passagem. O nunca se reveste. Assume várias formas. Você, eu, somos um caminho perpétuo para um fim. Seguindo numa estrada onde tudo fica para trás. Nós somos a crença inocente de que tudo vai dar certo. De que há sempre outra chance. Somos um trajeto. E também a trajetória. Corpo, ação e lembrança. Só o que dura são as lembranças. As percepções que os outros tem sobre nós. Eu sou um para cada um que conheço. Transição. Constante. Óticas diversas. Um estado. Sou um caminho figurativo. Uma busca do nunca.

Lapso

Eu então pedi tristonho: "senta aí, fica um pouco mais..."
Você tapou os ouvidos, me deu as costas e saiu pela porta. Confesso que pensei em ir atrás, mas nesse momento minhas pernas já não respondiam ao meu cérebro. Fiquei extasiado, na cadeira, sem sentir um centímetro sequer do meu corpo. Achei até que meu coração tinha parado. E talvez tivesse. Levei uns minutos, que se transformaram em dias, que passaram a meses, para me dar conta de que você não voltaria. Realmente não voltou. Escrevi um carta, mas não tinha seu endereço. Peguei o telefone, não tinha seu número. A única coisa viva em minha lembrança foi você saindo, o único traço de verdade foi seu desprezo. Naquele instante eu morri, sentado na cadeira, inane. Esperando que o tempo fizesse algo por mim. Que me estendesse a mão. Mas, ele não o fez. 

domingo, 14 de agosto de 2011

Fernão Capelo Gaivota

Um bom livro. Pequeno e fácil de ser lido. Mas não é por isso que ele me foi tão bom. Depois de mergulhar na madrugada em uma certa de conversa, naquele mesmo dia, mais cedo, me ofereceram o livro. E depois de tanto falar, quando eu já não conseguia ver direito as horas de tanto sono. Comecei a lê-lo. De repente eu não queria mais dormir. Mesmo assim o fiz. Deixei a leitura para o dia seguinte e em pouco tempo consumi todo o livro. Fala-se sobre os limites, os limites das gaivotas. Limite não se trata mais do que nossos pensamentos presos ao nosso corpo. Somos organizados em tempo e espaço. Se pensarmos que estes não existem seremos ilimitados. Não é uma tarefa fácil, mas eu acreditei no tipo de "lição", não daquelas forçadas, que o livro apresenta. Tratava-se além disso de um "hino a liberdade". Manter o coração leve com a certeza de que somos um traço de perfeição. Incrível como a leitura coube muito bem com a minha conversa da madrugada. Ele me foi oferecido com o discurso de que é um Livro Livre, damos para alguém e este alguém após sua leitura passa para outra pessoa. De alguma forma senti que o acaso se articulou mais uma vez. Não sei bem como terminar este texto. Então, recomendo-vos a leitura do livro. Sob o título "Fernão Capelo Gaivota."

sábado, 6 de agosto de 2011

No trem

arroz roxo
ar roxo
arroxo
a rocha
arroxa
a tocha
atoxa
xato

xota
Xato!?
sim!
normalmente usaria 'ch'
mas eu quis errar

Vale a pena (Gram)

Decorava torturas demais
Só pra bailar com a dor
Se provocava com medo de estar vazio
Até se encher de si
Ganhou no prejuízo e agora vai investir
Ser feliz não é tão comum
Vale a pena
É o que ouviu dizer

Outra dose de lágrima vai usar
Pra chapar a paz
O vício pela mágoa não lhe faz mal porque
Ser feliz não é tão comum
Não se esquiva mais
Veio aqui pagar pra ver
Fazer valer a pena
É o que sempre quis

Quem vale mais?
Quem é que sabe viver?
O feliz ou o não?

Se a vacina é de solidão
Ninguém vai te envenenar
O oceano que te afundar
Será teu navegador
É o que ouviu dizer
É o que sempre quis

Ninguém va esfoliar
Uma casca de correção
Ninguém vai desiludir
Uma cara-de-pau feliz

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

auto convencer-se

Onde você estava, enquanto os dias passavam pela minha janela?
As coisas que você dizia me rodeiam o tempo todo
Parecem armadilhas atraentes que me distraem
Hoje procuro seu adeus só pra dizer que não preciso mais dele
E sua indiferença é um prato que você come fria e sozinha.