Talvez Raskólnikov tenha nascido também nesse dia. Não que ele se pareça comigo em qualquer sentido, afinal Rodka se considera um gênio, indiscriminado e de certa forma escravo, pagando pena num mundo tão pueril e de pessoas tão sem graça. Nem mesmo a data tem qualquer influência sobre a personalidade, então podem se perguntar, que raios Raskólnikov e eu temos em comum? Respondo: temos em comum a minha associação de Novembro com morte. Especialmente o dia em que eu deveria comemorar estar vivo. Predicados a parte, Rodka um personagem gênio fictício Dostoievskano e eu, bem, retire tudo depois de personagem, compartilhamos do mesmo enfado. Vislumbramos que a vida é apenas um fio e por isso mesmo odiamos "parar na escada, escutar todas as tolices [...] estúpida até o absurdo, e que não lhe interessavam absolutamente nada; todos aqueles disparates [...], aquelas ameaças e lamentações, e, ademais, ter de falar, desculpar-se, mentir, não, preferia atirar-se como um gato pelas escadas abaixo e deixar-se cair ao abandono, contanto que não visse ninguém." - Rodka é isso em sua totalidade, já eu o sou parcialmente. O primeiro não tem qualquer vínculo, o segundo sim. Mas a essência é a mesma. Antes que se conheça, para nós, todos são indiferentes. De alguma forma, os dois personagens não passam despercebidos, nas histórias há quem lhes chamem pelo nome e eles, sorrindo retribuem com um "opa, camarada!". Sem ao menos saber seus nomes. Mas o texto não se trata de nós, se trata de um data. Do aniversário. Uma ocasião de festa, normalmente. Entretanto o 21 de Novembro não permite e não tolera alegria. É um dia nublado, frio, que me lembra "fim". Se o mundo um dia acabar tenho certeza de que o golpe fatal será dado em 21/11. Nada apocalíptico ou astrológico, apenas uma sensação. Passarei o dia contando os minutos para que ele acabe e talvez me atire como um gato pelas escadas abaixo.
uau!!!!!!
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