Morreu depois de beber, foder e tentar se matar. Morreu não sei de que, mas se olhasse para o tribunal, ele estava lá. Priva-lo-ei de expor sua identidade, em detrimento disso chamaremos o dito de Uíliam Maltose. Ou só Uílam, como queiram. No princípio, ao contrário do que diz Gênesis, Deus fez o mundo. Nisso Gene estava certo, mas, o mundo não era bom. Antes mesmo de criar bonecos de brincar, o Senhor todo poderoso, oniciente como só, sabia que a criação seria um desastre. O que fez então o altíssimo? Destruiu aquilo que seria uma vergonha para si? Não. Claramente que não. Ele criou um tribunal. A função desse tribunal era parecer o mais justo possível às almas, mas, fim ao cabo, no exato momento da morte uma setença já se tinha. Pela sua idade avançada e sofrida vida de acompanhamento a minuciosos detalhes mundanos, Deus sofria de incontigência urinária. Uma informação deveras importante e que determinará o destino de Uíl. De Uíliam foi para Uíl, mania nossa de abreviações. Por falar em abreviações, volto a primeira linha dessa narrativa. Uíl tentou abreviar sua passagem na terra. Mas sem o êxito dos verdadeiros suicídas, conseguiu apenas: um pescoço marcado por corda, algumas cicatrizes no pulso e uma coçeira desmedida nas regiões íntimas de seu corpo (fato ocasionado pela tomada abusiva de um determinado remédio, Uíl nunca foi muito de ler bulas, quanto mais os efeitos colaterais.) Foder nesse caso tem sentido literal e figurativo. Excelente golpista que era, Uíl conquistava as coroas e usurpava sua grana. Bêbado por natureza, o jovem rapaz virava um hábil boxeador feminino quando estava embriagado. Esses são apenas alguns dos possíveis pecados dos quais o Diabo podia se utilizar para levar a alma de Uíl para o inferno. Citando o cão, devemos trata-lo aqui com respeito. A figura que se tinha no tribunal era esbelta, de feições frias e até bonitas. Seu rosto era impassível, não era possível notar se pertencia ao sexo masculino, feminino ou se não tinha sexo. Falava com uma voz de veludo, dessas bem suaves que parecem música aos ouvidos. O cheiro de enxofre sempre fora balela contada pela(s) igreja(s). Era um cheiro de rosas, flores, o que talvez pudesse, bem de longe, associar-se a cemitérios. O diabo estava ansioso, era hora de levar uma alma mais para o submundo. O julgamento começa atrasado. Aguardavam todos a presença do não tão onipresente assim, Deus. Diabo ataca mostrando a lista métrica de pecados, erros, ilegalidades, amoralidades, cometidas por Uíl. Aquilo que o Demo não sabia era que, Uíl era um devoto do senhor. Sim! Uma reviravolta em nossa trama... Uíl era o famoso pastor "edificando a Cristo nosso Senhor", concedia muitas vitórias, curas e cestas básicas, tudo em nome do Poderoso. A cada erro cometido, Uíl imediatamente pedia perdão e tão logo era absolvido. O diabo ficou em fúria. Apelou para sua última cartada. Narrou que momentos antes de sua morte, Uíl havia pecado como o mais vil ser humano do mundo e não havia tido tempo de pedir perdão. Foi nessa momento que Deus se levantou para mijar e por isso o atraso no julgamento! Preocupado em balançar o instrumento, o Digníssimo não esteve atento a falha de Uíl, logo, se não viu não aconteceu. Impelido e obstinado a não deixar o Diabo vencer a batalha argumentativa, Deus aplicou a sentença que destinava a alma de Uíl a compadecer no céu juntamente com 72 virgens. Enlouquecido, furioso, soltando fogo pelas ventas, o Diabo lhe acusou de injustiça. Deus replicou dizendo que ele era a justiça. O Diabo voltou com o rabo entre as pernas, enquanto Uíl, mais um sujo pecador, adentrava no céu.
mais um sujo pecador entra no céu
ResponderExcluirbem sacado