sexta-feira, 18 de novembro de 2011

21 de Novembro

Talvez Raskólnikov tenha nascido também nesse dia. Não que ele se pareça comigo em qualquer sentido, afinal Rodka se considera um gênio, indiscriminado e de certa forma escravo, pagando pena num mundo tão pueril e de pessoas tão sem graça. Nem mesmo a data tem qualquer influência sobre a personalidade, então podem se perguntar, que raios Raskólnikov e eu temos em comum? Respondo: temos em comum a minha associação de Novembro com morte. Especialmente o dia em que eu deveria comemorar estar vivo. Predicados a parte, Rodka um personagem gênio fictício Dostoievskano e eu, bem, retire tudo depois de personagem, compartilhamos do mesmo enfado. Vislumbramos que a vida é apenas um fio e por isso mesmo odiamos "parar na escada, escutar todas as tolices [...] estúpida até o absurdo, e que não lhe interessavam absolutamente nada; todos aqueles disparates [...], aquelas ameaças e lamentações, e, ademais, ter de falar, desculpar-se, mentir, não, preferia atirar-se como um gato pelas escadas abaixo e deixar-se cair ao abandono, contanto que não visse ninguém." - Rodka é isso em sua totalidade, já eu o sou parcialmente. O primeiro não tem qualquer vínculo, o segundo sim. Mas a essência é a mesma. Antes que se conheça, para nós, todos são indiferentes. De alguma forma, os dois personagens não passam despercebidos, nas histórias há quem lhes chamem pelo nome e eles, sorrindo retribuem com um "opa, camarada!". Sem ao menos saber seus nomes. Mas o texto não se trata de nós, se trata de um data. Do aniversário. Uma ocasião de festa, normalmente. Entretanto o 21 de Novembro não permite e não tolera alegria. É um dia nublado, frio, que me lembra "fim". Se o mundo um dia acabar tenho certeza de que o golpe fatal será dado em 21/11. Nada apocalíptico ou astrológico, apenas uma sensação. Passarei o dia contando os minutos para que ele acabe e talvez me atire como um gato pelas escadas abaixo.

sábado, 12 de novembro de 2011

De olhos bem fechados

Quando eu fechar os olhos
Por favor, me entenda
Quis apenas bulir-me das angústias
Ora tão incisivas e consoantes
Daí vacilo:
Trêmulo, minguante
Repouso esperando não acordar
Fito as paredes
Então aperto os olhos
Dilacero por dentro
Consumo -
E me mato mil vezes dormindo
Se eu não abrir os olhos
Por favor, me entenda

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Rio gratuito

Exibição de frases pré-moldadas
Acentuação de pontos ainda não requisitados
É tudo muito difícil de se entender

Estampas da cortina
Remendos impróprios certificando seus honorários
Hora passa, passa hora?
Vemos e pedimos isso toda hora

Instituição de unificação
Caçando sua comida
Roubando da nossa plantação

Temos um belo cristo
Que nos abraça todos os dias
Mas que parece ter se esquecido de nós

Temos o pão-de-açucar
Pena que não se pode comer

Durante o ano o que importa
Se mais uma vez
O Brasil perdeu a copa

Mas vamos levando
De estados a vendavais
De benefícios a capitais

É tudo muito difícil de se entender
As vezes nem eu sei
O que devo dizer

Aumentando o volume do som
Na noite se viu um clarão

Meu bloco de notas para nada mais serve
Está totalmente rabiscado
Mas eu ainda tenho um caderno:
Ele é verde com bolinhas brancas

Por enquanto vamos a ritmo de eleição
Não mais pela seleção!

Rapidamente chegamos a festa anuaL
Devemos nos importar agora
Com quem vencerá o carnaval

Mesmo com toda importância
E excessiva tolerância
Rio com certeza é o melhor lugar
De janeiro a Janeiro, pensando sempre no que virá

Aqui todos são carismáticos
Não há um que seja vulgar
Somos brincalhões
E as vezes rimos pra não chorar

Nossas praias protegidas por santos
Ao menos se podem consumar
Santos que não falam
Mas todos acreditam que estão lá
(O redentor pelo menos está)

E com todas essas qualidades
Quase me esqueço de mencionar
A ironia que aqui está
Não no rio, ela não ronda por lá
Mas aqui, bem à frente
Ela resolveu se prostar.

Achar graça de graça não custa nada
É apenas mais uma exibição
De frases pré-moldadas

É realmnete algo muito difícil de se entender
Imaginar pra quem não sabe ler.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Nani, mas bem que poderia ser Tatá.



Nada é melhor
que ser o centro da sua atenção
vicia o talento inato
que você tem pra me fazer rir
jogue em mim teu afeto
sempre mais
pra quem sempre quis alegria
você perto satisfaz
como o vento traz vida ao ar
como o tempo passa e nos traz
o entendimento pra nos ajudar


o que eu peço é só
que esse jeito de ver o amanhã
sem ter um peso me prensando os ombros
daqui para o fim seja incerto caminhar
pra forçar em mim o desafio perpétuo
de te amar
como o vento traz vida ao ar
como o tempo passa e nos traz
o entendimento pra nos ajudar

não sentir medo de encarar
a pressão do sol
me acalma os passos
e o coração
a voz da alma
não tem mais som

no calor do sol
me acalma os passos
e o coração
a voz da alma
não tem mais som

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Destruição, por Neil Gaiman.

Eu gosto das estrelas
Acho que é a ilusão da perpetuidade.
Quer dizer, elas estão sempre queimando.
Piscando e desaparecendo...

Mas eu posso fingir
Posso fingir que as coisas duram
Posso fingir que nossas vidas são mais que momentos

Deuses vêm e vão.
Mortais lampejam, reluzem e se apagam.
Mundos não duram...
Estrelas e galáxias são coisas transitórias e fugidias.
Piscam como vaga-lumes
E se desfazem em pó e frieza.

Eu posso fingir que gosto das estrelas
Esperando que alguma delas caia do céu.

sábado, 29 de outubro de 2011

Schopenhauerismo voluntário: poesia em dois versos

" A vontade é a causa de todo sofrimento, uma vez que lança os entes em uma cadeia perpétua de aspirações sem fim, o que provoca a dor de permanecer em algo que jamais consegue completar-se." - Schopenhauer


Todo distanciamento precisa do primeiro passo,
eis que lhe dou agora, por tempo indeterminado.

Para ser considerado

O tempo passa, as pessoas mudam, a sociedade muda, os valores mudam, enfim. A verdade é que vivemos num eterno "processamento" e como já disse Dary Jr. 'o que hoje me dá nojo ontem foi o meu desejo.'
Não lembro de muitas coisas da minha infância. Ao contrário do que geralmente ouço ou leio por aí, não tive uma infância com pipa, gude ou pião. Essas coisas existiram, algumas ainda existem, não com a força de antes, mas ainda firmes em suas causas. Há quem reinvindique para si, pautado exclusivamente em sua própria vivência e, desconsiderando assim, quaisquer outra experiência, o título (se é que podemos chamar assim) de uma "verdadeira infância." Andar descalço ralando os pés, pique esconde, pique pega e outros piques, brincadeiras típicas das ruas fundamentando (mediante a gratuitas opiniões) o que de fato era ser criança. Atualmente, estamos em face da informação. Rápida informação. Os anos passaram e com ele a tecnologia mudou sua cara. Antes: rádio de pilha, difícil de sintonizar. Depois: qualquer coisa minúscula com capacidade para uma infinidade de músicas. Se as crianças hoje, desde cedo, estão a par das redes sociais mais comuns como facebook, badoo, msn, orkut e afins, não há porque nega-las o direito de uma "verdadeira infância". Simplesmente os tempos mudaram e daqui algumas décadas, talvez, elas também reinvindiquem a sua antiga infância impregnada de virtualidade perante a um novo conceito de infância que vai surgir. De tudo que vejo por aí relacionado a essa ênfase nostálgica e a um "infantinocentrismo" exacerbado, tem-se a conclusão, ao menos aparentemente, de que a culpa é dos pequeninos. Não foram eles que trocaram a "Caverna do Dragão" (o desenho sem fim) por "Hannah Montana". Nem criaram "text messages" para se comunicar mais rápido que as velhas "cartas".  Desde Graham Bell até hoje o telefone deixou de fazer apenas ligações e, se bobear, temos modelos que passam até roupa. Essa nova infância inventa suas próprias maneiras de se divertir com o que lhes está à mão. Ninguém em qualquer tempo pode falar sobre a "verdadeira infância", ou melhor, ninguém do século XVIII para cá, pois antes disso infância não existia.